sexta-feira, 3 de abril de 2026

Kielmeyera rubriflora (rosa-do-campo)

 Local: Serra do Cipó (APA Morro da Pedreira)

Família: Calophyllaceae
Espécie: Kielmeyera rubriflora
Nome popular: Rosa-do-campo




Kielmeyera rubriflora (Calophyllaceae) é um arbusto ou pequena árvore semidecídua, típica do Cerrado brasileiro, com registros que se estendem do Brasil Central (especialmente Mato Grosso) até regiões adjacentes da Bolívia. A espécie ocorre preferencialmente em formações savânicas sobre solos profundos, bem drenados, ácidos e oligotróficos, em altitudes que variam tipicamente entre 300 e 1.000 metros. Apresenta porte variando de 1,5 a 4 metros de altura, com folhas coriáceas, simples, opostas, elípticas a oblongas e de margens inteiras.
Suas flores são vistosas, solitárias ou reunidas em pequenos grupos terminais, de coloração que varia do róseo-claro ao vermelho-intenso (o epíteto rubriflora significa "flor vermelha"), cada uma com cinco pétalas imbricadas que alcançam de 6 a 8 cm de diâmetro. A antese é diurna e a espécie é autoincompatível, dependendo estritamente de polinização cruzada e oferecendo apenas pólen como recompensa. Os polinizadores mais eficientes são abelhas de grande porte, como a Xylocopa grisescens, que realizam a polinização por vibração (buzz pollination). A floração é anual, concentrada nos meses de maio a junho, caracterizando-se como uma florada maciça e sincrônica.
Embora seja característica do Cerrado de altitudes baixas a médias, K. rubriflora também pode ser encontrada nos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço, em altitudes superiores a 900 metros. Nesses ambientes de altitude, ocorre em manchas isoladas sobre solos litólicos (rasos e pedregosos), geralmente associada a afloramentos quartzíticos e a outras espécies lenhosas adaptadas ao frio e à forte insolação diurna. Sob essas condições edafoclimáticas mais extremas, a planta apresenta porte reduzido e florescimento menos exuberante, mas mantém sua importância ecológica como recurso alimentar para polinizadores especializados. Popularmente conhecida como "rosa-do-campo", a espécie é recomendada para projetos de restauração ecológica no bioma Cerrado.


quinta-feira, 2 de abril de 2026

Drosera (Planta Carnívora)

Local: Serra do Cipó (APA Morro da Pedreira)

Família: Droseraceae
Espécie: Drosera sp., provavelmente Drosera montana
Nome popular: Planta carnívora

Com flor!!!



Drosera montana (Droseraceae) é uma planta carnívora endêmica de campos rupestres da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais e Bahia. Adaptada a solos oligotróficos, arenosos e sazonalmente úmidos, apresenta folhas em roseta com tentáculos glandulares secretores de mucilagem adesiva, utilizados na captura de pequenos artrópodes para suplementação nutricional (especialmente nitrogênio). A espécie floresce na estação seca, emitindo hastes eretas (escapos) que podem portar uma ou poucas flores brancas ou róseas, hermafroditas, polinizadas por insetos. Ecologicamente, ocupa microhábitats expostos à luz solar direta, sobre afloramentos quartzíticos ou turfeiras. Sua distribuição restrita e a especificidade ecológica tornam-na vulnerável a perturbações antrópicas, como queimadas e mineração. A plasticidade fisiológica para tolerar dessecação sazonal e baixa disponibilidade de nutrientes é notável, refletindo adaptações convergentes com outras Droseraceae de regiões oligotróficas tropicais. Estudos recentes apontam a importância da espécie como bioindicadora de integridade ambiental em ecossistemas campestres ferruginosos do Espinhaço.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Chamaecrista ochnacea (Fabaceae)

Local: Distrito de Cardeal Mota - Santana do Riacho - MG - Brasil 
Família: Fabaceae
Espécie: Chamaecrista ochnacea
Nome popular: ...





Chamaecrista ochnacea é uma espécie arbustiva pertencente à família Fabaceae, endêmica dos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço, em Minas Gerais, Brasil, com registros também para São Paulo e Goiás . Ocorre em afloramentos quartzíticos e solos litólicos, pobres em nutrientes, sob forte insolação e déficit hídrico sazonal.

A espécie distingue-se pela variação na coloração das flores entre suas diferentes variedades. A variedade-tipo, C. ochnacea var. ochnacea, apresenta pétalas amarelas . Já a variedade purpurascens (do latim, "que se torna púrpura") destaca-se por suas pétalas alaranjadas ou vermelho-alaranjadas, com sépalas vermelhas, sendo considerada planta ornamental . As demais variedades (speluncae, mollis e latifolia) também apresentam pétalas amarelas .

A espécie cresce sobre afloramentos quartzíticos, com folhas coriáceas e persistentes. As inflorescências são racemos terminais e a polinização é realizada por abelhas. Os frutos são legumes lineares com sementes elípticas. Devido à distribuição restrita e à pressão de incêndios frequentes e mineração, a espécie é considerada prioritária para conservação.