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sábado, 14 de setembro de 2013

Microlicia (Melastomataceae)

Local: Distrito de Cardeal Mota - Santana do Riacho - MG - Brasil
Família: Melastomataceae
Gênero: Microlicia
Nome popular: ...





Microlicia é o maior gênero da tribo Microlicieae (Melastomataceae), com 173 espécies conhecidas, das quais 166 ocorrem no Brasil . Seu centro de diversidade está na Cadeia do Espinhaço, especialmente nos campos rupestres de Minas Gerais e Bahia, embora o gênero também ocorra na Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica .

As espécies são subarbustos a arbustos bastante ramificados, frequentemente cespitosos, adaptados a solos litólicos e pobres em nutrientes dos afloramentos quartzíticos . Os ramos são tipicamente quadrangulares e revestidos por tricomas setosos ou glândulas esféricas, características úteis para identificação taxonômica.

As folhas são sésseis a pecioladas, com lâmina discolor ou concolor, frequentemente imbricadas e coriáceas — adaptação à forte insolação e ao déficit hídrico sazonal dos campos rupestres. As inflorescências são terminais ou laterais, em dicásios simples ou compostos, com flores 5-meras (raramente até 9-meras) .

As flores de Microlicia apresentam notável variação cromática: pétalas róseas, magenta, creme, brancas ou amarelas . A espécie Microlicia flava, por exemplo, tem o epíteto derivado do latim flavus (amarelo), referindo-se à coloração de suas flores . Os estames são 10(-18), frequentemente dimorfos (dois tamanhos distintos), com pedoconectivo prolongado nos estames antessépalos — adaptação relacionada à polinização por abelhas vibratórias.

Os frutos são cápsulas com deiscência basípeta e columela persistente. As sementes são pequenas, levemente curvadas e com testa foveolada. Estudos filogenéticos recentes indicam que Microlicia deve ser ampliado para incluir os gêneros Chaetostoma, Lavoisiera, Stenodon e Trembleya, totalizando cerca de 250 espécies, a maioria endêmica dos campos rupestres do Espinhaço .

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Lavoisiera cordata (Melastomataceae)

Local: Distrito de Cardeal Mota - Santana do Riacho - MG - Brasil
Família: Melastomataceae
Gênero: Lavoisiera cordata
Nome popular: ...


Lavoisiera cordata é uma espécie arbustiva da família Melastomataceae, endêmica de Minas Gerais, com distribuição restrita à região da Serra do Cipó, planalto de Diamantina e Serra da Piedade, na Cadeia do Espinhaço . Ocorre em altitudes entre 806 e 1.340 m, prioritariamente em campos rupestres, afloramentos rochosos e campos de Vellozia, sendo também registrada em áreas de cerrado adjacentes .

A espécie apresenta porte ereto de 0,6 a 2,5 m de altura, com ramos quadrangulares glabros. Suas folhas são sésseis, ovaladas, glabras e com base arredondada — característica que inspirou o epíteto cordata (do latim, "em forma de coração"). As flores são hexâmeras a heptâmeras (6-7 pétalas), reunidas em cimeiras apicais, com pétalas brancas ou creme e estames dimorfos amarelos, adaptados à polinização por abelhas vibratórias .

Ecologicamente, L. cordata apresenta brotação intensa na parte basal do caule, caráter relacionado à resiliência ao fogo — adaptação crucial nos campos rupestres sujeitos a queimadas frequentes . A espécie também é acumuladora de alumínio, armazenando o elemento em seus tecidos foliares sem sintomas de toxidez, mecanismo comum em Melastomataceae de solos ácidos e pobres do Espinhaço .

Estudos germinativos indicam que L. cordata apresenta altas taxas de germinação e maior velocidade de emergência a partir de 20°C, quando comparada a espécies simpátricas, refletindo adaptações fisiológicas a seu micro-habitat específico .

Atualmente, a espécie foi reclassificada como Microlicia cordifolia, refletindo revisões filogenéticas que ampliam o gênero Microlicia . Devido à distribuição restrita e à pressão por invasão biológica (especialmente Brachiaria decumbens) e antropização do habitat, L. cordata é considerada Em Perigo (EN) na lista vermelha de Minas Gerais .

Lavoisiera campos-portoana (Melastomataceae)

Local: Distrito de Lapinha da Serra - Santana do Riacho - MG - Brasil
Família: Melastomataceae
Espécie: Lavoisiera campos-portoana
Nome popular: Flor-do-amor
























Lavoisiera campos-portoana é um subarbusto da família Melastomataceae, endêmico dos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço em Minas Gerais, ocorrendo entre 1200 e 1500 m de altitude em solos arenosos e pobres.

A espécie apresenta porte ereto de 40 a 80 cm (podendo atingir 2 m) e folhas coriáceas, oblongo-elípticas e glabras. Sua característica mais notável é a acentuada variação morfológica, especialmente na flor (muito comum apreentar-se com 5 ou 6 pétalas, e até 7). As flores também exibem dois morfos de cor predominantes: a maioria das populações apresenta pétalas róseo-claras ou escuras, enquanto plantas de uma região ao norte de Serro (MG) exibem consistentemente pétalas brancas com uma faixa amarelo-esverdeada na base . Os estames são dimorfos (dois tamanhos), adaptados à polinização por abelhas vibratórias.

Ecologicamente, a espécie é tolerante ao fogo e rebrota após queimadas esporádicas. Estudos indicam adaptações diferenciais à seca sazonal. Atualmente, a espécie foi sinonimizada sob Microlicia crassifolia , sendo considerada de "Pouco Preocupante" (LC) para conservação, com populações protegidas no Parque Nacional da Serra do Cipó e Parque Estadual do Biribiri .

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Trembleya (Melastomataceae)

Locais: Distrito de Lapinha da Serra - Santana do Riacho - MG - Brasil / Distrito de Tabuleiro - Conceição do Mato Dentro - MG - Brasil
Família: Melastomataceae
Gênero: Trembleya
Nome popular: ...






Trembleya é um gênero de arbustos pertencente à família Melastomataceae, endêmico do Brasil, com centro de diversidade nos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço, em Minas Gerais, e também na Chapada dos Veadeiros (GO) . O gênero foi nomeado em homenagem ao naturalista Abraham Trembley .

Atualmente, reconhecem-se cerca de 18 espécies no gênero . Caracterizam-se por flores pentâmeras (5 pétalas) com estames dimorfos (dois tamanhos distintos) e conectivos prolongados formando apêndices ventrais — adaptação à polinização por abelhas vibratórias . A espécie T. laniflora apresenta antese noturna e flores grandes e brancas, sendo polinizada por abelhas crepusculares de grande porte .

Ecologicamente, as espécies de Trembleya habitam solos litólicos e pobres em nutrientes dos afloramentos quartzíticos, apresentando folhas pecioladas, microfilas e hipoestomáticas — características que as distinguem anatomicamente dos gêneros relacionados Lavoisiera e Microlicia . Estudos fitoquímicos detectaram flavonoides do tipo flavona e flavonol, além de atividade antimicrobiana contra Staphylococcus aureus em T. laniflora .

A taxonomia do gênero é complexa: análises de flavonoides sugerem que espécies de Trembleya aparecem misturadas a Lavoisiera e Microlicia em agrupamentos químicos, indicando a necessidade de revisão de seus limites genéricos .

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Cambessedesia

Local: Distrito de Tabuleiro - Conceição do Mato Dentro - MG - Brasil
Família: Melastomataceae
Gênero: Cambessedesia
Nome popular: Flor hispânica (?)





Cambessedesia é um gênero de arbustos ou subarbustos pertencente à família Melastomataceae, endêmico do Brasil . Ocorre prioritariamente nos domínios do Cerrado e dos campos rupestres, com centros de endemismo na Cadeia do Espinhaço (MG), na Chapada Diamantina (BA) e na Chapada dos Veadeiros (GO) .

O gênero foi descrito por Augustin Pyramus de Candolle em 1828 e recebeu esse nome em homenagem ao botânico francês Jacques Cambessedès . Estudos taxonômicos recentes reconhecem 27 espécies, das quais três foram descritas como novas para a ciência . Apenas duas espécies — C. fasciculata e C. espora — apresentam distribuição geográfica mais ampla; as demais são restritas a poucas localidades .

Morfologicamente, as espécies de Cambessedesia caracterizam-se por folhas opostas, frequentemente com folhas adicionais axilares reduzidas dispostas em braquiblastos (ramos curtos), conferindo aspecto fasciculado à planta . As flores são pentâmeras a hexâmeras (5-6 pétalas), com 10 a 12 estames (excepcionalmente 5 em C. semidecandra) . Os estames não apresentam apêndices ventrais, diferindo de outros gêneros de Melastomataceae, e o conectivo das anteras é espessado dorsalmente, frequentemente com um pequeno cálcar (esporão) na base .

A característica mais vistosa do gênero é a coloração das pétalas: a maioria das espécies apresenta flores bicolores, com pétalas predominantemente vermelho-alaranjadas e base amarela — adaptação visual que atrai polinizadores. Algumas espécies, no entanto, apresentam flores monocromáticas amarelas ou branco-amareladas . A polinização é realizada por abelhas, típica da família.

Ecologicamente, as espécies de Cambessedesia estão adaptadas a solos litólicos, pobres em nutrientes e bem drenados, típicos dos afloramentos quartzíticos do Espinhaço e demais áreas de Cerrado. Apresentam crescimento lento e são tolerantes a queimadas esporádicas. Os frutos são cápsulas com sementes depresso-ovais, densa ou esparsamente tuberculadas . A combinação de endemismo restrito, flores bicolores e adaptações a solos pobres torna Cambessedesia um grupo modelo para estudos de especiação e conservação nos campos rupestres brasileiros.