sábado, 14 de setembro de 2013

Cyrtopodium eugenii (Orchidaceae)

Local: Distrito de Cardeal Mota - Santana do Riacho - MG - Brasil 
Família: Orchidaceae
Espécie: Cyrtopodium eugenii
Nome popular: Sumaré




Fotos: Ramon Lamar

Cyrtopodium eugenii é uma espécie de orquídea terrícola pertencente à família Orchidaceae, endêmica do Brasil, com ocorrência registrada nos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço, em Minas Gerais, e em áreas de Cerrado do estado de Goiás. Sua distribuição é restrita e fragmentada, característica de espécies adaptadas a ambientes sazonais e oligotróficos.

Ecologicamente, a espécie ocupa solos arenosos ou litólicos, bem drenados e pobres em nutrientes, geralmente em afloramentos rochosos ou bordas de veredas secas. Apresenta pseudobulbos fusiformes e suculentos, que atuam como órgãos de reserva hídrica e nutricional, conferindo tolerância ao longo período de estiagem típico do Cerrado.

As folhas são lineares, coriáceas e concentradas na porção superior dos pseudobulbos. A inflorescência é uma panícula ereta, com até 1,5 m de altura, portando numerosas flores de coloração amarelo-ouro com manchas purpúreas no labelo. A floração ocorre no final da estação seca e início das chuvas, e as flores são polinizadas por abelhas de grande porte, especialmente do gênero Eulaema.

Cyrtopodium eugenii possui interesse ornamental, mas sofre com coleta predatória e destruição de habitat por mineração, queimadas e expansão agrícola. A espécie é considerada vulnerável, e sua reprodução em cultivo é dificultada pela dependência de fungos micorrízicos específicos para a germinação de sementes, reforçando a importância da conservação in situ.

Odontadenia (Apocynaceae)

Local: Distrito de Cardeal Mota - Santana do Riacho - MG - Brasil 
(Parque Nacional da Serra do Cipó)
Família: Apocynaceae
Gênero: Odontadenia
Nome popular: Flor-de-veado




Odontadenia é um gênero de lianas pertencente à família Apocynaceae, distribuído em regiões tropicais da América Central e do Sul, desde o México até a Bolívia e Brasil. Ocorre em diversos biomas brasileiros, incluindo Cerrado, Caatinga, Amazônia e Mata Atlântica, sendo encontrada também em campos rupestres.

As plantas do gênero caracterizam-se por apresentar látex leitoso, folhas opostas, inteiras e geralmente glabras, e inflorescências cimosas ou tirsóides, axilares ou terminais. As flores são grandes, vistosas, com corola infundibuliforme (em forma de funil), predominantemente brancas, creme ou amarelo-claras, com tubo longo e lobos expandidos. A antese pode ser noturna, sugerindo polinização por mariposas ou morcegos, embora os polinizadores específicos ainda não sejam totalmente conhecidos.

A espécie Odontadenia lutea é popularmente conhecida como "flor-de-veado" no Tocantins e no Distrito Federal . Trata-se de uma trepadeira do Cerrado que exsuda látex branco quando cortada, com flores brancas de centro verde-amarelado e floração entre março e julho . Seus frutos são folículos avermelhados que liberam sementes com tufo de pelos sedosos (comosas), adaptadas à dispersão pelo vento (anemocoria) .

Os frutos são folículos apocárpicos, cilíndricos, contendo sementes numerosas com tricomas longos na extremidade, adaptadas à dispersão pelo vento.

No Brasil, destaca-se também Odontadenia macrantha, com flores alaranjadas ou amarelas de até 10 cm de diâmetro . Estudos filogenéticos recentes sugerem que Odontadenia está relacionado a Mandevilla, com discussões taxonômicas em andamento sobre a circunscrição do gênero. Algumas espécies são cultivadas como ornamentais devido à beleza de suas flores.

Microlicia (Melastomataceae)

Local: Distrito de Cardeal Mota - Santana do Riacho - MG - Brasil
Família: Melastomataceae
Gênero: Microlicia
Nome popular: ...





Microlicia é o maior gênero da tribo Microlicieae (Melastomataceae), com 173 espécies conhecidas, das quais 166 ocorrem no Brasil . Seu centro de diversidade está na Cadeia do Espinhaço, especialmente nos campos rupestres de Minas Gerais e Bahia, embora o gênero também ocorra na Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica .

As espécies são subarbustos a arbustos bastante ramificados, frequentemente cespitosos, adaptados a solos litólicos e pobres em nutrientes dos afloramentos quartzíticos . Os ramos são tipicamente quadrangulares e revestidos por tricomas setosos ou glândulas esféricas, características úteis para identificação taxonômica.

As folhas são sésseis a pecioladas, com lâmina discolor ou concolor, frequentemente imbricadas e coriáceas — adaptação à forte insolação e ao déficit hídrico sazonal dos campos rupestres. As inflorescências são terminais ou laterais, em dicásios simples ou compostos, com flores 5-meras (raramente até 9-meras) .

As flores de Microlicia apresentam notável variação cromática: pétalas róseas, magenta, creme, brancas ou amarelas . A espécie Microlicia flava, por exemplo, tem o epíteto derivado do latim flavus (amarelo), referindo-se à coloração de suas flores . Os estames são 10(-18), frequentemente dimorfos (dois tamanhos distintos), com pedoconectivo prolongado nos estames antessépalos — adaptação relacionada à polinização por abelhas vibratórias.

Os frutos são cápsulas com deiscência basípeta e columela persistente. As sementes são pequenas, levemente curvadas e com testa foveolada. Estudos filogenéticos recentes indicam que Microlicia deve ser ampliado para incluir os gêneros Chaetostoma, Lavoisiera, Stenodon e Trembleya, totalizando cerca de 250 espécies, a maioria endêmica dos campos rupestres do Espinhaço .

Paepalanthus bromelioides (Eriocaulaceae)

Local: Distrito de Cardeal Mota - Santana do Riacho - MG - Brasil
Família: Eriocaulaceae
Gênero: Paepalanthus
Nome popular: Sempre-viva




Paepalanthus bromelioides é uma espécie herbácea perene da família Eriocaulaceae, endêmica dos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço, em Minas Gerais, Brasil, com ocorrência registrada na Serra do Cipó entre 800 e 1.300 m de altitude . Ocorre em solos oligotróficos e bem drenados dos afloramentos quartzíticos, típicos do Cerrado de altitude .

Sua morfologia apresenta convergência notável com bromélias — daí o epíteto bromelioides — com folhas canaliculadas dispostas em roseta que formam um tanque central (fitotelmata) capaz de acumular água da chuva . A base das folhas possui tricomas e estruturas epidérmicas especializadas que sugerem capacidade de absorção hídrica e nutricional .

A espécie é considerada protocarnívora, pois se beneficia de nutrientes derivados de animais capturados em seu tanque, embora não possua enzimas digestivas próprias . Estudos isotópicos demonstraram que a planta obtém nitrogênio de fezes de aranhas predadoras (como Latrodectus geometricus), carcaças de insetos e cupins . Aranhas habitam frequentemente as rosetas, enquanto as raízes são envolvidas por ninhos de térmitas (pelo menos quatro gêneros), que contribuem com nutrientes via decomposição .

A assinatura isotópica de ¹⁵N de P. bromelioides é significativamente superior à de plantas não carnívoras da mesma área, confirmando a absorção de nitrogênio de fontes animais — contribuição estimada em até 19% a partir de fezes de aranhas . Essa estratégia representa uma adaptação à extrema pobreza nutricional dos solos dos campos rupestres do Espinhaço.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Lavoisiera cordata (Melastomataceae)

Local: Distrito de Cardeal Mota - Santana do Riacho - MG - Brasil
Família: Melastomataceae
Gênero: Lavoisiera cordata
Nome popular: ...


Lavoisiera cordata é uma espécie arbustiva da família Melastomataceae, endêmica de Minas Gerais, com distribuição restrita à região da Serra do Cipó, planalto de Diamantina e Serra da Piedade, na Cadeia do Espinhaço . Ocorre em altitudes entre 806 e 1.340 m, prioritariamente em campos rupestres, afloramentos rochosos e campos de Vellozia, sendo também registrada em áreas de cerrado adjacentes .

A espécie apresenta porte ereto de 0,6 a 2,5 m de altura, com ramos quadrangulares glabros. Suas folhas são sésseis, ovaladas, glabras e com base arredondada — característica que inspirou o epíteto cordata (do latim, "em forma de coração"). As flores são hexâmeras a heptâmeras (6-7 pétalas), reunidas em cimeiras apicais, com pétalas brancas ou creme e estames dimorfos amarelos, adaptados à polinização por abelhas vibratórias .

Ecologicamente, L. cordata apresenta brotação intensa na parte basal do caule, caráter relacionado à resiliência ao fogo — adaptação crucial nos campos rupestres sujeitos a queimadas frequentes . A espécie também é acumuladora de alumínio, armazenando o elemento em seus tecidos foliares sem sintomas de toxidez, mecanismo comum em Melastomataceae de solos ácidos e pobres do Espinhaço .

Estudos germinativos indicam que L. cordata apresenta altas taxas de germinação e maior velocidade de emergência a partir de 20°C, quando comparada a espécies simpátricas, refletindo adaptações fisiológicas a seu micro-habitat específico .

Atualmente, a espécie foi reclassificada como Microlicia cordifolia, refletindo revisões filogenéticas que ampliam o gênero Microlicia . Devido à distribuição restrita e à pressão por invasão biológica (especialmente Brachiaria decumbens) e antropização do habitat, L. cordata é considerada Em Perigo (EN) na lista vermelha de Minas Gerais .

Barbacenia macrantha (Velloziaceae)

Local: Distrito de Cardeal Mota - Santana do Riacho - MG - Brasil
Família: Velloziaceae
Espécie: Barbacenia macrantha
Nome popular: ...



Foto obtida logo após uma queimada! Leia o texto abaixo!!!

Barbacenia macrantha é uma espécie herbácea pertencente à família Velloziaceae, endêmica dos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço, com ocorrência restrita ao estado de Minas Gerais, Brasil . Habita afloramentos quartzíticos e solos litólicos, pobres em nutrientes, em altitudes elevadas da Serra do Cipó e regiões adjacentes.

O epíteto específico macrantha deriva do grego "makros" (grande) e "anthos" (flor), referindo-se às suas flores notavelmente grandes em comparação com outros membros do gênero. As flores apresentam coloração vermelha ou avermelhada, variando do escarlate ao vináceo, tépalas conspícuas e vistosas, adaptadas à polinização por beija-flores e abelhas de grande porte.

Ecologicamente, a espécie apresenta adaptações típicas das Velloziaceae dos campos rupestres do Espinhaço: folhas coriáceas, recurvadas e frequentemente espinescentes, que reduzem a perda hídrica; caules suculentos revestidos por bainhas fibrosas persistentes (resultantes de folhas antigas), que atuam como reservatórios de água e proteção contra o fogo; e raízes com velame (tecido morto espesso), essenciais para a absorção de umidade atmosférica durante a longa estação seca.

A espécie é tolerante a queimadas esporádicas, rebrotando rapidamente após o fogo. Estudos fitoquímicos identificaram na planta o composto ácido ailtônico, um tetranorneoclerodano com potencial bioativo (significa que é uma indicação de promessa científica, não uma comprovação de efeito. O composto está disponível para estudos futuros que possam confirmar ou refutar sua utilidade farmacológica - inclusive no tratamento de câncer - ou ecológica. Devido à sua distribuição restrita e ao apelo ornamental de suas flores vermelhas, Barbacenia macrantha está sujeita à pressão de coleta predatória e à degradação de seu habitat por incêndios frequentes e atividades minerárias, sendo considerada prioritária para conservação in situ nas áreas protegidas da Cadeia do Espinhaço.

Lavoisiera campos-portoana (Melastomataceae)

Local: Distrito de Lapinha da Serra - Santana do Riacho - MG - Brasil
Família: Melastomataceae
Espécie: Lavoisiera campos-portoana
Nome popular: Flor-do-amor
























Lavoisiera campos-portoana é um subarbusto da família Melastomataceae, endêmico dos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço em Minas Gerais, ocorrendo entre 1200 e 1500 m de altitude em solos arenosos e pobres.

A espécie apresenta porte ereto de 40 a 80 cm (podendo atingir 2 m) e folhas coriáceas, oblongo-elípticas e glabras. Sua característica mais notável é a acentuada variação morfológica, especialmente na flor (muito comum apreentar-se com 5 ou 6 pétalas, e até 7). As flores também exibem dois morfos de cor predominantes: a maioria das populações apresenta pétalas róseo-claras ou escuras, enquanto plantas de uma região ao norte de Serro (MG) exibem consistentemente pétalas brancas com uma faixa amarelo-esverdeada na base . Os estames são dimorfos (dois tamanhos), adaptados à polinização por abelhas vibratórias.

Ecologicamente, a espécie é tolerante ao fogo e rebrota após queimadas esporádicas. Estudos indicam adaptações diferenciais à seca sazonal. Atualmente, a espécie foi sinonimizada sob Microlicia crassifolia , sendo considerada de "Pouco Preocupante" (LC) para conservação, com populações protegidas no Parque Nacional da Serra do Cipó e Parque Estadual do Biribiri .

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Trembleya (Melastomataceae)

Locais: Distrito de Lapinha da Serra - Santana do Riacho - MG - Brasil / Distrito de Tabuleiro - Conceição do Mato Dentro - MG - Brasil
Família: Melastomataceae
Gênero: Trembleya
Nome popular: ...






Trembleya é um gênero de arbustos pertencente à família Melastomataceae, endêmico do Brasil, com centro de diversidade nos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço, em Minas Gerais, e também na Chapada dos Veadeiros (GO) . O gênero foi nomeado em homenagem ao naturalista Abraham Trembley .

Atualmente, reconhecem-se cerca de 18 espécies no gênero . Caracterizam-se por flores pentâmeras (5 pétalas) com estames dimorfos (dois tamanhos distintos) e conectivos prolongados formando apêndices ventrais — adaptação à polinização por abelhas vibratórias . A espécie T. laniflora apresenta antese noturna e flores grandes e brancas, sendo polinizada por abelhas crepusculares de grande porte .

Ecologicamente, as espécies de Trembleya habitam solos litólicos e pobres em nutrientes dos afloramentos quartzíticos, apresentando folhas pecioladas, microfilas e hipoestomáticas — características que as distinguem anatomicamente dos gêneros relacionados Lavoisiera e Microlicia . Estudos fitoquímicos detectaram flavonoides do tipo flavona e flavonol, além de atividade antimicrobiana contra Staphylococcus aureus em T. laniflora .

A taxonomia do gênero é complexa: análises de flavonoides sugerem que espécies de Trembleya aparecem misturadas a Lavoisiera e Microlicia em agrupamentos químicos, indicando a necessidade de revisão de seus limites genéricos .

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Rhynchospora (capim estrela)

Local: Distrito de Lapinha da Serra - Santana do Riacho - MG - Brasil
Família: Cyperaceae
Gênero: Rhynchospora speciosa
Nome popular: Capim estrela



















Rhynchospora speciosa é uma espécie herbácea perene da família Cyperaceae, endêmica do Brasil, com ocorrência nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, incluindo Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e São Paulo . Seu habitat prioritário são os campos rupestres da Cadeia do Espinhaço, onde cresce em solos rasos, arenosos e pobres, associada a afloramentos quartzíticos . Apesar do nome popular, não é um capim verdadeiro (família Poaceae) .

A espécie forma touceiras densas (cespitosas) a partir de um rizoma subterrâneo, alcançando 50 a 80 cm de altura . Suas folhas são longas, lineares e verdes, concentradas na base da planta. A característica mais notável está em sua inflorescência: as flores verdadeiras são minúsculas, castanhas e agrupadas em um capítulo central pouco vistoso . Para atrair polinizadores, a planta desenvolve de 3 a 7 brácteas (folhas modificadas) na base da inflorescência, cujas bases se tornam de um branco intenso e brilhante durante a floração, enquanto as pontas permanecem verdes . Abertas em estrela, essas brácteas formam uma "pseudo-flor" de 5 a 10 cm de diâmetro — uma adaptação que dá nome à planta .

Ecologicamente, o rizoma subterrâneo confere à espécie tolerância ao fogo, permitindo rebrota após queimadas esporádicas — adaptação crucial nos campos rupestres do Espinhaço . A polinização é realizada por abelhas, borboletas e moscas, atraídas pela "pseudo-flor" branca que sinaliza a recompensa (néctar e pólen) no capítulo central . Os frutos são aquênios sem cerdas, dispersos pelo vento (anemocoria) . O epíteto speciosa significa "vistosa" ou "esplêndida" em latim, em referência ao espetáculo de sua inflorescência estrelada .

Xyris

Local: Distrito de Cardeal Mota - Santana do Riacho - MG - Brasil
Família: Xyridaceae
Gênero: Xyris sp
Nome popular: Pimentinha prateada





Xyris hymenachne é uma espécie herbácea perene da família Xyridaceae, conhecida popularmente como pimentinha prateada, pimentinha-cinzenta, pratinha ou pirequinho-amarelo . Ocorre nos estados do Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Tocantins, com habitats prioritários nos campos úmidos e veredas associados à Cadeia do Espinhaço e demais áreas de Cerrado .

A planta forma touceiras densas a partir de caule curto. Suas folhas são longas, muito finas (1 a 3 mm de largura) e de coloração verde-acinzentada que confere aspecto prateado ao tufo — característica que inspirou os nomes populares "pimentinha prateada" e "pratinha" . A haste floral é roliça, mede de 10 a 40 cm de altura e sustenta uma inflorescência capituliforme de formato alongado (1 a 2 cm), com brácteas de coloração castanha a prateada que protegem as flores verdadeiras .

As flores de X. hymenachne são amarelas ou douradas, efêmeras (duram apenas um dia) e surgem entre abril e agosto, período que coincide com o final da estação chuvosa e início da seca no Cerrado . A polinização é realizada por abelhas e pequenos himenópteros atraídos pela cor vibrante das flores. Os frutos são cápsulas com sementes pequenas, adaptadas à dispersão hidrocórica (pela água) — característica comum em espécies de Xyris associadas a solos úmidos e brejosos.

Ecologicamente, a espécie habita solos hidromórficos, arenosos e pobres em nutrientes, típicos de veredas e campos limpos úmidos do Espinhaço. Apresenta rizoma curto que confere tolerância a queimadas esporádicas e ao alagamento sazonal. Suas folhas estreitas e a inflorescência prateada funcionam como adaptações à alta luminosidade e à dessecação durante a estação seca, reduzindo a perda hídrica e refletindo a radiação solar excessiva. Apesar de não ser considerada ameaçada, sofre pressão por drenagem de veredas e queimadas frequentes em seu habitat.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Cambessedesia

Local: Distrito de Tabuleiro - Conceição do Mato Dentro - MG - Brasil
Família: Melastomataceae
Gênero: Cambessedesia
Nome popular: Flor hispânica (?)





Cambessedesia é um gênero de arbustos ou subarbustos pertencente à família Melastomataceae, endêmico do Brasil . Ocorre prioritariamente nos domínios do Cerrado e dos campos rupestres, com centros de endemismo na Cadeia do Espinhaço (MG), na Chapada Diamantina (BA) e na Chapada dos Veadeiros (GO) .

O gênero foi descrito por Augustin Pyramus de Candolle em 1828 e recebeu esse nome em homenagem ao botânico francês Jacques Cambessedès . Estudos taxonômicos recentes reconhecem 27 espécies, das quais três foram descritas como novas para a ciência . Apenas duas espécies — C. fasciculata e C. espora — apresentam distribuição geográfica mais ampla; as demais são restritas a poucas localidades .

Morfologicamente, as espécies de Cambessedesia caracterizam-se por folhas opostas, frequentemente com folhas adicionais axilares reduzidas dispostas em braquiblastos (ramos curtos), conferindo aspecto fasciculado à planta . As flores são pentâmeras a hexâmeras (5-6 pétalas), com 10 a 12 estames (excepcionalmente 5 em C. semidecandra) . Os estames não apresentam apêndices ventrais, diferindo de outros gêneros de Melastomataceae, e o conectivo das anteras é espessado dorsalmente, frequentemente com um pequeno cálcar (esporão) na base .

A característica mais vistosa do gênero é a coloração das pétalas: a maioria das espécies apresenta flores bicolores, com pétalas predominantemente vermelho-alaranjadas e base amarela — adaptação visual que atrai polinizadores. Algumas espécies, no entanto, apresentam flores monocromáticas amarelas ou branco-amareladas . A polinização é realizada por abelhas, típica da família.

Ecologicamente, as espécies de Cambessedesia estão adaptadas a solos litólicos, pobres em nutrientes e bem drenados, típicos dos afloramentos quartzíticos do Espinhaço e demais áreas de Cerrado. Apresentam crescimento lento e são tolerantes a queimadas esporádicas. Os frutos são cápsulas com sementes depresso-ovais, densa ou esparsamente tuberculadas . A combinação de endemismo restrito, flores bicolores e adaptações a solos pobres torna Cambessedesia um grupo modelo para estudos de especiação e conservação nos campos rupestres brasileiros.

Cipocereus (quiabo da lapa)

Local: Distrito de Tabuleiro - Conceição do Mato Dentro - MG - Brasil
Família: Cactaceae
Espécie: Cipocereus minensis
Nome popular: Quiabo da lapa






Cipocereus minensis é uma espécie de cactus colunar pertencente à família Cactaceae, endêmica do estado de Minas Gerais, Brasil, com ocorrência restrita aos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço. O epíteto específico minensis refere-se a Minas Gerais, estado onde a espécie foi originalmente descrita. O nome genérico Cipocereus combina "Cipó" (referência à Serra do Cipó) com o latim cereus ("vela" ou "cirio"), aludindo à sua forma alongada.

A planta cresce como arbusto ramificado, atingindo até 2 m de altura, com caules verdes de 2 a 5 cm de diâmetro, apresentando de 10 a 16 costelas arredondadas. As aréolas são redondas, cobertas por lã branca ou pardusca, das quais emergem de 1 a 4 espinhos centrais (até 2,5 cm) e 8 a 16 espinhos radiais (1 a 2 cm).

As flores são noturnas, grandes (até 7 cm de comprimento), de coloração creme a branco-esverdeada, com pétalas rígidas e disposição horizontal — síndrome de quiropterofilia (polinização por morcegos). A antese ocorre ao entardecer, com flores emitindo odor adocicado e produzindo grande quantidade de néctar noturno. Experimentos de polinização demonstram que a espécie é xenógama obrigatória (autoincompatível), dependente exclusivamente de polinizadores para reprodução, sendo os morcegos os polinizadores efetivos, enquanto beija-flores e abelhas contribuem marginalmente. Os frutos são esféricos, de casca lisa e coloração azul intensa, característica rara entre cactos.

Ecologicamente, a espécie ocupa paredes rochosas e fendas em afloramentos quartzíticos, adaptada a solos litólicos e pobres do Espinhaço. Apesar de ocorrer no Parque Nacional da Serra do Cipó, é classificada como "Vulnerável" (VU) ou "Em Perigo" (EN) em avaliações estaduais, ameaçada por mineração, expansão urbana e queimadas frequentes. Encontra-se listada no Apêndice II da CITES, regulamentando seu comércio internacional. Duas subespécies são reconhecidas: C. minensis subsp. minensis e C. minensis subsp. leiocarpus.